Cibersegurança no Brasil: o que o relatório da Brasscom significa para a sua PME
A Brasscom projeta R$ 126,9 bilhões em cibersegurança no Brasil entre 2026 e 2029, mas a fatia do orçamento de TI ainda é de 6,4%. Veja como ler esses números e o que uma PME pode fazer na prática.
A Brasscom divulgou em 28 de outubro o Relatório de Cibersegurança 2026, e o recado é duplo: o Brasil vai gastar mais com proteção digital, mas ainda destina menos do que a referência internacional citada no estudo. Para uma pequena ou média empresa, a pergunta útil não é quanto o país vai investir. É quanto da sua própria operação está protegido hoje.
Principais pontos
- A Brasscom projeta R$ 126,9 bilhões em investimentos em cibersegurança no Brasil entre 2026 e 2029.
- Os gastos anuais devem subir de R$ 25,6 bilhões para R$ 38,2 bilhões no período, alta de 49%.
- As empresas brasileiras destinam, em média, 6,4% do orçamento de TI à proteção digital. A referência internacional usada no levantamento é de 8% a 12%.
- Essa faixa não deve ser tratada como meta universal. Segundo um resumo do relatório, o gasto adequado depende do risco e da criticidade de cada negócio.
- Para a PME, o ponto de partida é saber o que precisa ser protegido, antes de decidir quanto gastar.
O que o relatório mostra
Segundo a cobertura do Telesíntese, o investimento brasileiro em segurança digital cresceu 66% entre 2023 e 2025, de R$ 13,4 bilhões para R$ 22,2 bilhões. Para 2026 a 2029, a projeção é que software de segurança represente 48% dos gastos e serviços de TI, 44%. Hardware fica com 6% e serviços de negócios, com 2%.
A ConvergenciaDigital detalha a trajetória anual: R$ 25,6 bilhões em 2026, R$ 29,6 bilhões em 2027, R$ 33,5 bilhões em 2028 e R$ 38,2 bilhões em 2029.
O relatório foi elaborado pela Brasscom com apoio da Abraseci e do programa Hackers do Bem. De acordo com o resumo publicado pelo Minuto da Segurança, ele reúne dados de fontes como IDC, CERT.br e IBM.
Como ler os números sem cair em armadilhas
Esta seção é contexto e interpretação da Anytec, não dado do relatório.
Percentual não é segurança. Um orçamento maior não garante proteção melhor. Uma empresa pode gastar bastante com ferramentas e continuar com senhas compartilhadas e backups que nunca foram testados.
A média esconde realidades diferentes. Os 6,4% são uma média nacional. Uma clínica que guarda dados de pacientes tem um perfil de risco bem diferente de uma loja que só vende por marketplace.
Vale contar o que não aparece como "segurança". O relatório indica que parte relevante do gasto está em software e serviços de TI. Na prática, treinar a equipe, revisar acessos e documentar processos custa pouco e muitas vezes não entra nessa conta.
Um exemplo hipotético, só para ilustrar a aritmética: uma empresa com R$ 10 mil por mês em TI dedicaria R$ 640 à segurança na média de 6,4%. Na faixa de 8%, seriam R$ 800. A diferença é pequena. O que decide o resultado é onde esse dinheiro é aplicado.
Aplicações práticas para PMEs
O que segue são recomendações da Anytec, baseadas em boas práticas gerais. Elas não vêm do relatório.
- Faça um inventário simples. Liste sistemas, planilhas, contas de e-mail, ferramentas de nuvem e integrações. Anote quem tem acesso a cada um e quais dados circulam ali.
- Classifique por criticidade. Pergunte o que acontece se cada item ficar fora do ar por um dia ou se os dados vazarem. Comece a proteger pelo que mais dói.
- Reforce o básico. Autenticação em dois fatores, contas individuais, remoção de acessos de ex-colaboradores e backups com teste de restauração resolvem muitos riscos comuns.
- Revise as integrações. Cada conexão entre sistemas, como ERP, CRM, planilhas e automações, é um ponto de acesso a dados. Conexões criadas às pressas e esquecidas viram risco.
- Considere um referencial formal. A ISO 27001 é uma norma internacional que define requisitos para um sistema de gestão da segurança da informação. Nem toda PME precisa se certificar, mas a norma serve de roteiro para organizar políticas e responsabilidades.
- Atenção ao uso de IA. Uma pesquisa do Sebrae com o Meta Instituto de Pesquisa indica que 52% dos pequenos empreendedores ouvidos tinham usado IA nas duas semanas anteriores. Como inferência nossa, quanto mais dados de clientes passam por essas ferramentas, mais importa definir regras sobre o que pode ser inserido nelas.
Onde a automação ajuda e onde não ajuda
A automação não substitui antivírus, firewall nem a revisão de um especialista em segurança. Ela ajuda em outra frente: dar visibilidade e disciplina à operação.
Quando fluxos, integrações e agentes de IA ficam espalhados em várias ferramentas, ninguém sabe ao certo quem acessa o quê. Uma plataforma como a AnyFlow, da Anytec, reúne integrações, fluxos, agentes de IA e painéis sobre uma base de dados compartilhada. Isso facilita enxergar quais sistemas trocam informações e padronizar processos como o desligamento de acessos. Ela complementa os controles de segurança da empresa e não os substitui.
Próximo passo
Antes de pensar em orçamento, reserve uma hora esta semana para montar o inventário de sistemas, acessos e integrações da empresa. Marque três itens críticos e confirme, para cada um, se há autenticação em dois fatores e um backup testado. Esse exercício mostra onde está o maior risco e dá base para decidir quanto investir, em vez de perseguir um percentual de referência.
Fontes consultadas
- Brasscom prevê R$ 127 bi para cibersegurança até 2029
- Brasil investe apenas 6,4% do orçamento de TI em cibersegurança – ConvergenciaDigital
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